SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

Actual crise financeira tem contornos diferentes das crises passadas

A actual crise financeira tem contornos diferentes das crises passadas e está a levar à entrada de capitais asiáticos em empresas e bancos das economias norte-americanas e europeias, segundo a Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco (SaeR).

O relatório trimestral sobre a situação económica e dos negócios hoje divulgado diz que a actual crise "de grande intensidade", que surgiu da crise do "subprime" e que gerou uma crise financeira, "não tem precedentes".
Esta é a primeira crise da globalização competitiva, segundo a SaeR, no artigo "O papel essencial da incerteza nos assuntos humanos", que "não é directamente comparável com as do passado".
Pela primeira vez, as economias nacionais não estão a funcionar como "redutores da incerteza" ou como barreiras ao alastrar da crise (antes as moedas, as fronteiras e as regulamentações administrativas limitavam o alastramento dos problemas).
Por outro lado, argumenta a SaeR, esta crise está a ser amplificada por uma crise de solvabilidade com centro nos bancos das economias mais avançadas.
José Poças, da SaeR, nota que uma consequência desta crise tem sido o aparecimento de fundos soberanos como novos operadores de mercado. Os chineses estão a comprar cada vez mais empresas norte-americanas, exemplificou.
Na prática, vários países asiáticos estão a usar os seus excedentes comerciais para entrar no capital de empresas ocidentais com dificuldades de liquidez, ocupando "posições relevantes" nos principais bancos norte-americanos.
A Sonangol é outro exemplo disso em Portugal, acrescentou José Poças, com a sua entrada no capital da Galp Energia.
Para Ernâni Lopes, sócio-gerente da SaeR e ex-ministro das Finanças, está a assistir-se a "uma recomposição do poder e da riqueza à escala mundial", com os centros produtivos a transferirem-se do Ocidente para o Oriente e uma reconfiguração estratégica.
Ernâni Lopes lembrou ainda que os bancos centrais se deparam actualmente com um dilema que não é novo: facilitar a política monetária, com a descida das taxas de juro, para fomentar o crescimento económico, ou tornar essa política mais dura, através da subida das taxas de juro, como forma de limitar a inflação.
A novidade é que esses bancos centrais estão perante um problema que "dificilmente" sabem resolver: querem utilizar mecanismos conjunturais para enfrentar uma situação para a qual não têm ferramentas adequadas, disse o mesmo economista. A solução pode, por isso, demorar mais tempo a aparecer.
 
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2008-04-07

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