SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

Saer prevê recuperação "hesitante" e lenta

A recuperação económica vai ser “hesitante” e deverá “perdurar mais tempo do que as outras fases de recuperação”, diz o relatório da SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco, que foi esta manhã apresentado.
O documento assinado por Ernâni Lopes e José Poças Esteves, considera que, dado o aumento do desemprego, a prudência dos consumidores em gastar dinheiro e a relutância dos bancos no financiamento, a recuperação será lenta, até porque “o padrão de políticas económicas de navegação à vista - e “inovando” quando for necessário - deverá prosseguir”.
 
Na análise ao comportamento dos mercados e da economia quando a crise deflagrou, em meados de 2007, os economistas criticam o “isolamento” dos Governos: “Na fase da reacção à revelação da grande crise, cada país europeu - e, em primeira linha, os mais importantes - responderam isoladamente, e apenas utilizaram uma instituição europeia, o Banco Central Europeu”.
Dois anos depois, o problema mantém-se: “Agora que já se está nas fases de adaptação, cada país europeu mantém a mesma opção inicial pelo isolamento, como se acreditassem que poderão preservar os seus modelos económicos e sociais, que foram estabelecidos e eram financiados nas condições do passado que esta crise faz desaparecer”.
De acordo com o relatório da SaeR, a teoria económica mais adequada para compreender a crise económica que varreu o mundo a partir de 2008 foi apresentada por Minsk, mais do que por Keynes: “a análise de Minsky não se limitou a apresentar o processo de formação de uma crise de instabilidade financeira, também mostrou que uma crise desse tipo produz flutuações mais profundas e mais longas do que uma crise de produção, provocada por excesso de oferta ou por deficiência da procura, ou do que uma crise induzida por um acidente natural”.
 
Por outro lado, argumenta o documento, “era natural que se visse aqui o padrão de uma crise keynesiana, o que recomendaria o recurso a novos estímulos pela via da despesa pública. Há, porém, diferenças muito importantes entre o presente e o que eram as condições existentes no tempo em que Keynes reflectiu sobre as dinâmicas de uma crise económica: em economias abertas, é menor o multiplicador nacional da despesa pública, não existe a moeda única mundial que Keynes considerava essencial para responder a uma crise (o bancor ou outra unidade monetária equivalente) e não há tendência para um equilíbrio estável entre os espaços económicos ocidentais e orientais (e esta tensão é parte essencial para a interpretação - e para a resolução - da grande crise actual)”.
É por isso, conclui a análise teórica da SaeR, que “Esta grande crise não é, por isso mesmo, apenas uma grande crise económica. Ela implica a crise da ordem mundial, tanto no que se refere ao quadro de expectativas sociais (alterando o modo como as sociedades se colocam na hierarquia dos modelos de modernização e de competição), como no que se refere às relações de poder e à configuração das áreas de influência”.

Publico/Lusa

12.Out.2010

 

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