SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

Fundos de gestão nas capitais de risco lusas crescem 20% em 2005

Cai percentagem de fundos não aplicados
 
As Sociedades de Capital de Risco (SCR) portuguesas tinham no final do ano passado 1,158 mil milhões de euros sob gestão, mais 20% que no final de 2004, concluiu o relatório trimestral da SaeR, ontem divulgado. Segundo os valores apurados pela Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco, o “portfolio at cost” a este valor cresceu 55%, “o que significa que se verificou uma redução dos fundos não aplicados”.
Apesar deste crescimento, a SaeR, no mesmo relatório, refere que o recurso ao capital de risco continua muito limitado em Portugal, apontando a “falta de tradição; experiência”, “desconfiança”, “instabilidade regulamentar e fiscal” e o “ainda elevado” peso do Estado nesta actividade como as principais razões para a pouca expressividade do capital de risco no nosso país. A entidade presidida por Emâni Lopes atribui, porém, as melhorias registadas no ano passado a um “aliviar” deste peso do Estado, nomeadamente através da “alteração do modelo económico nacional” promovido pelas autor idades, mas também à renovação do próprio tecido industrial, o que tem vindo a criar “um ambiente propício à proliferação do capital de risco”. Mas não são estas as únicas razões.
De acordo com a SaeR, a própria divulgação das rendibilidades auferidas por este tipo de fundos tem conduzido “ao aparecimento de instrumentos de financiamento alternativos fora da esfera do Estado e no das instituições financeiras, atraindo fundos privados para o financiamento de actividades mais arriscadas”.
Mas o caminho a percorrer por Portugal ainda está no princípio. A continuação da “renovação” da mentalidade do empresário português – “tomando-o disponível a aceitar a participação de um sócio de capital de risco” – é uma das condições que a SaeR aponta como “essencial” para que o capital de risco cresça em Portugal. Esta “renovação” da mentalidade, refere o relatório desta entidade, passa pela “desistência” por parte dos empresários de algumas ideias pré-concebidas como o risco do sigilo do negócio, ‘ ou mesmo o controlo familiar a prazo da empresa em causa. A SaeR aponta mesmo que o cariz familiar de alguns negócios é outro aspecto que tem que ser mudado em Portugal.
“Os empresários terão também de pensar em termos de empresa global e não portuguesa, modificando a estrutura dominantemente familiar através da contratação de quadros técnicos qualificados e da abertura aos mercados financeiros”, ‘ lê-se no relatório da responsabilidade de Emâni Lopes.
 
Filipe Paiva Cardoso
Jornal de Negócios
2006-07-11

Notícias

Clube SaeR

Aceda aos conteúdos exclusivos e receba regularmente a newsletter SaeR directamente na sua caixa de e-mail.

Contactos

Rua Luciano Cordeiro, 123 4º Esq.
1050-139 Lisboa
Portugal

Tel: +351 213 030 830
Fax: +351 213 030 839
E-mail: saer@saer.pt