SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

Mar é cada vez mais uma opção estratégica para o Governo

Na semana em que se assinala o Dia Mundial do Mar, reúne, pela primeira vez o Conselho Inter-Ministerial para os Assuntos do Mar. A reunião está agendada para o próximo sábado, dia 25, e vai ser presidida pelo Primeiro-Ministro José Sócrates.

O Mar está cada vez mais presente na agenda política nacional, afirmando-se como uma força propulsora e um catalisador capaz de relançar a economia portuguesa. «Portugal voltado para o mar passa de um país pobre, pequeno, periférico, em definhamento para uma potência em desenvolvimento», afirma José Poças Esteves, Sócio-Gerente da SaeR – Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco, empresa responsável pelo estudo “O Hypercluster da Economia do Mar”, que confirma o enorme potencial de desenvolvimento do sector.

Mas Poças Esteves cita o estudo para recordar que ainda há um longo caminho a percorrer. Em primeiro lugar, é preciso «que o Estado assuma a questão do mar como um desígnio nacional: envolver o Estado, as empresas e a sociedade civil porque é preciso ultrapassar esta situação difícil da nossa economia» e a resposta pode estar no mar. Depois, há que continuar a incentivar e mobilizar o Fórum Empresarial da Economia do Mar (FEM). Por último, José Poças Esteves recorda a necessidade de introdução de medidas legislativas de discriminação positiva para as actividades económicas ligadas ao mar: «fizeram-no na altura da Expo 98, porque não fazê-lo para isto também?», pergunta o investigador.

Uma boa notícia foi o anúncio do agendamento da primeira reunião de Conselho de Ministros para os Assuntos do Mar para o próximo sábado, que vai ser presidida pelo Primeiro-Ministro. «O mar está repartido por vários ministérios e acaba por ser uma prioridade para cada um deles, por isso é extremamente importante que este Conselho Ministerial funcione para que os ministérios envolvidos se coordenem», reforça Fernando Ribeiro e Castro, do FEM.

Nuno Lourenço, coordenador da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), aponta a biotecnologia marinha como o recurso com maior potencial de desenvolvimento e geração de riqueza, mas recorda que é difícil fazer investimentos nestas áreas, uma vez que «é muito difícil obter retorno e, mesmo assim, só a longo prazo». Portugal até está na linha da frente no que respeita às tecnologias mundiais de exploração e investigação do mar profundo, de que é exemplo o ROV (Veículo Operado Remotamente), que foi usado na última expedição às ilhas Selvagens. «O problema é que em Portugal não existem empresas que possam fazer a assistência técnica», conta Nuno Lourenço.

Acima de tudo, diz Fernando Ribeiro e Castro, é preciso que Portugal deixe de estar de costas voltadas para o mar: torna-se «a ponta do último pêlo da cauda da Europa, enquanto que, se Portugal se virar para o mar, passa a ser a ponta do nariz e a encarar de frente todo o mundo ribeirinho». «O nosso espaço marítimo é quarenta vezes o nosso espaço terrestre, é 80 por cento do nosso território. Um país com estas características é um arquipélago com a sorte de ter uma fronteira terrestre», prossegue Ribeiro e Castro para ilustrar o potencial de desenvolvimento da economia do mar.

José Poças Esteves reforça a opinião do coordenador do Fórum Empresarial para a Economia do Mar, lembrando que «é o lado terrestre que se está a esgotar». «Portugal com mar é o quarto maior país da Europa, o 26º maior país do mundo. Por isso, mais que uma opção estratégica, o mar deve ser uma obrigatoriedade no desenvolvimento estratégico do país», sublinha Poças Esteves.

 

Névia Vitorino

Ambiente Online

20.Set.2010

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