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Mar pode ser a salvação económica de Portugal

O economista e ex-ministro das Finanças Ernâni Lopes esteve esta segunda-feira em Olhão a falar do seu recente trabalho «Hypercluster da Economia do Mar» e cativou a assistência com o seu humor mordaz e carregado de ironia.

A conferência «Clusters Marítimos e Economia do Mar», promovida pela CCDR Algarve, teve o seu ponto alto na intervenção deste especialista. Sempre de pé e em movimento, Ernâni Lopes explanou a sua visão, onde o Algarve tem uma forte palavra a dizer. Este trabalho foi encomendado pela Associação Comercial de Lisboa.

Para o economista, desde a viragem do século que a economia portuguesa está a definhar e o cenário futuro é negro. Para fazer face à degradação económica, «há quatro domínios estratégicos mais um» em que Portugal terá de apostar.

Os quatro domínios eleitos são o Turismo, o Ambiente, as Cidades e Desenvolvimento e os Serviços de Valor Acrescentado em áreas como a saúde, educação e acolhimento de seniores. «Mas isto é só dinheiro, que apesar disso é importante», considerou.

Uma verdadeira estratégia de recuperação económica, que permita «preencher o vazio entre um cenário de definhamento e um de afirmação económica», apenas será possível através de uma aposta num hypercluster do mar.

Este é o «mais um» de Ernâni Lopes, que não tem direito a ser considerado como domínio estratégico por ser «de longe, o mais difícil», o que o coloca mais no campo das possibilidades. O facto de «o ponto de partida ser muito baixo» e de «este ser um modelo intrinsecamente complexo» são as duas razões que complicam o enveredar por esta solução.

Realista, o economista não se arrisca a vender esta ideia como a salvação da pátria, pois é algo que implica que «trabalhemos, estudemos e tenhamos energia, o que é uma chatice», qualidades que o riso que saiu da plateia revela que não são habitualmente associadas ao nosso povo.

Esta medida, ainda que sectorial, seria uma forma de Portugal enfrentar a realidade que a Globalização introduziu na economia mundial. A época das «economias completas», que são «auto-contidas» e se relacionam com as demais através do comércio acabou.

«Hoje, temos uma economia de sectores», acredita. Daí que a aposta neste sector específico, a uma escala global, pudesse ser a uma forma de Portugal ter perspectivas de uma afirmação económica sustentável para o futuro.

Neste hypercluster de Ernâni Lopes cabem muitas actividades, mas há quatro áreas fundamentais. «Logística, Portos e Transportes», «Náutica de Recreio e Turismo Náutico», «Pesca, Aquacultura e Indústria da Pesca» e «Energias, Minerais e Biotecnologia» são a base para uma estratégia bem mais vasta.

Nesta visão à escala nacional, encaixa outra teoria relativa ao Sul do País. Aquilo que Ernâni Lopes chama de «A Grande Ogiva do Sul», onde se criaria uma dinâmica económica que permitiria que Portugal a Sul do Tejo se tornasse um importante motor para a economia portuguesa.

O economista imaginou uma ogiva cujo vértice se encontra na margem Sul do Tejo e as linhas que a definem partem daí para Sul, uma pelo mar, outra pelo interior. Um exercício de «mesogeopolítica», que necessita de uma análise a nível local, cidade a cidade, para tomar forma definitiva.

No Algarve, a passagem do paradigma da «terra aproveitando a borda de água», o Sol e Praia, para o do «mar gerando riqueza em terra» será fundamental. Algo que se consegue através da articulação do turismo com «náutica de recreio, pesca e investigação e desenvolvimento», bem como com a cria cão «de um ou dois centros de mar».

«O Algarve não é nem pode ser só turismo. Terá de repensar o seu modelo estratégico, pois o que está em vigor não vingará neste mundo global. Há 80 Algarves melhores e mais baratos pelo mundo», avisou.

 

Hugo Rodrigues

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