O papel do social
Ernâni Lopes, no relatório trimestral da SaeR, que dirige, lança como tema de fundo a estruturação da economia social. Não como uma coisa a enxertar de fora numa economia em profundo processo de reestruturação; antes como uma componente essencial reequilibradora, que deverá percorrer todos os sectores da actividade económica numa época de mudança, caracterizada por uma forte polarização social.De um lado, o mundo da eficiência empresarial reforçada, da cooptação dos mais aptos para trabalhar e viver sempre sob pressão, sempre sob a espada de Dâmocles da concorrência, da possível perda de uma conta de cliente, de uma parceria internacional, de uma nova oportunidade de negócio transfronteiriço. É o mundo extenuante e, simultaneamente, estimulante dos horários fluidos e, tantas vezes, intermináveis, do trabalho por objectivos e da pesquisa sem pausa para poder responder no fio da navalha.
Do outro, um mundo em declínio, do trabalho manual desvalorizado, da procura tradicional minguante, que tenta resistir à mudança de rumos na divisão planetária dos ofícios, adiando um fim anunciado. E, ainda, o universo da velhice, tão pobre e só, espalhada por todo o território nacional, à espera de um cuidado atento de saúde, de um qualquer sinal que a possa alegrar.
As reformas que este Governo, como nenhum outro desde o 25 de Abril, está a levar a cabo fazem crescer estes dois pólos. A economia social tem, assim, de fazer parte da condução do processo de reformas. Mesmo quando se anuncia a multiplicação do apoio aos idosos e ao seu tratamento domiciliário, é irrefutável que o Estado nunca terá meios financeiros e humanos para fazer tudo o que uma sociedade decente exigiria. E é aqui que as três centenas de Misericórdias, com a sua experiência adquirida em 508 anos de vida, podem ter um papel muito mais relevante. Se aceitarem o desafio de repensar-se para fazerem mais com os meios limitados de que dispõem.
António Peres Metelo
Diário de Noticias
2006-07-11
Notícias
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