Capital de risco ainda é incipiente no mercado nacional
O capital de risco ainda está em fase de desenvolvimento em Portugal. A sua tradição é, no mínimo incipiente, tendo o seu enquadramento fiscal e legal ficado sujeito a várias alterações nos últimos anos, dificultando a sua proliferação. De notar que a legislação que permite a criação de sociedades de capital de risco tem apenas duas décadas, de acordo com o último relatório SAER. No nosso país trata-se de um investimento financeiro ainda relativamente novo e pouco utilizado. «Tal facto justifica-se, em parte, pela mentalidade dominante nas empresas nacionais, mais tradicionais e de menor dimensão, onde a partilha de capital se pode revelar problemática. Acresce o facto de dominarem as participações financeiras puras, o que reduz o interesse e a utilidade do capital de risco. E este ainda oferece poucas soluções ao mercado. Apesar de tudo, as sociedades de capital de risco estão a iniciar uma fase de evolução em Portugal. Os fundos sob gestão cresceram cerca de 20% no ano passado, superando já a barreira dos mil milhões de euros. Além disso, verificou-se uma considerável redução dos fundos não aplicados. As fontes mais comuns para obtenção de fundos são a banca e o sector público. E este é um sector em que alguns problemas ainda estão por resolver. «Embora se reconheça o papel central das sociedades de capital risco no aparecimento de novas empresas em sectores inovadores e/ou franjas de mercado, na expansão de negócios condicionados pela ausência de formas tradicionais de financiamento e na reestruturação de grandes empresas em crise de crescimento, nem sempre a sua actuação é bem olhada por potenciais alvos de aquisições hostis ou pelas autoridades. Sobretudo devido á relativa falta de transparência e ao reduzido grau de divulgação de informação a que estão sujeitas em termos regulamentares.»Concorrência cada vez mais intensa
Embora, a nível internacional, as empresas de capital de risco estejam a atravessar um momento de sucesso, o mesmo pode estar a chegar ao fim no que respeita à liderança de processos de aquisição de empresas com elevada visibilidade. Estará a aproximar-se a sua consolidação. «Por um lado, o ambiente de fácil acesso está a alterar-se rapidamente, por outro, a elevada rendibilidade proporcionada pelas sociedades ou fundos de capital de risco tem atraído sobre si o interesse de investidores, reguladores e concorrentes. Estas empresas têm registado fortes entradas de capital nos seus fundos, levando-as a negócios sucessivamente mais arriscados ou à prática de preços de aquisição que dificultam a tarefa de rentabilização da operação de reestruturação, limitando a sua rendibilidade a prazo.» Actualmente, muitas das novas empresas preferem manter-se à margem do capital der risco, beneficiando dimensões mais reduzidas e crescimento mais lento até os seus promotores estarem totalmente satisfeitos com o produto desenvolvido. «Evitam, assim, situações de crescimento demasiado rápido, com produtos não estabilizados, situação corrente no caso de empresas que aceitaram a participação de capital de risco e foram forçadas à expansão a um ritmo incomportável com a fase do produto, acabando por entrar em declínio.» De referir ainda que, ultimamente, o sucesso das sociedades de capitais de fundo têm atraído os «hedge funds» para o negócio, intensificando ainda mais a concorrência. Além disso, «esse mesmo sucesso tem feito convergir sobre a sua actividade a curiosidade das autoridades, que pretendem melhorar a informação disponível sobre o seu negócio, aumentando o escrutínio público».
Vida Económica on-line
2006-08-11
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