Ernâni Lopes: salários dos gestores deveriam ser equilibrados com base no "bom senso"
O economista Êrnani Lopes considerou hoje que os salários dos gestores públicos deveriam ser equilibrados na base do "bom senso", e não "da gestão da imagem", sob pena de serem considerados "chocantes".
Segundo o presidente da Saer - Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco, "a generalidade dessas pessoas estão num quadro global e não num quadro local, e se formos ver as remunerações dos equivalentes não é chocante, mas isto num plano horizontal".
Num segundo plano, e "comparando na vertical, onde não era chocante passa a ser", referiu o antigo ministro das Finanças.
No entanto, e no entender de Ernâni Lopes, "ambas as leituras são verdadeiras", mas trata-se "da medida mais difícil a tomar na política, que se chama bom senso".
"A taxa de juro e as taxas dos impostos, ao pé do bom senso, são muito baratas e o bom senso é muito mais raro", apontou o antigo governante, segundo o qual "talvez fosse possível encontrar ali um equilíbrio".
Ernâni Lopes apontou ainda "o choque que constitui essa dimensão em termos de remunerações", na medida em que "há aí um problema até da gestão de imagem" dos próprios gestores.
Mas "há um produto muito raro e porque muito raro, muito caro, e a esse chama-se bom senso", reiterou o presidente da Saer em jeito de conclusão.
Os comentários do antigo ministro das Finanças surgem no meio de uma discussão pública sobre os prémios que as empresas com capitais públicos pretendem pagar aos gestores.
O Ministério das Finanças deu uma indicação geral para não haver prémios nem aumentos para os gestores públicos em 2010, mas várias empresas com maioria de capital do Estado já afirmaram que pediram uma exceção ao ministério tutelado por Teixeira dos Santos, argumentando não só com os contratos referentes às remunerações fixas e variáveis, e que foram assinados pelas partes, mas também com o entendimento segundo o qual esta indicação refere-se aos resultados de 2010 e não aos pagamentos feitos em 2010, mas referentes a anos anteriores.
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) e a Parpública vão propôr a suspensão dos prémios dos gestores da Portugal Telecom (PT), da Zon e da EDP durante dois anos, acompanhada de um corte de 5 por cento nos seus ordenados fixos.
Mas a proposta, que será apresentada nas assembleias gerais destas empresas cotadas, conta desde já com a oposição dos seus principais accionistas privados.
A Zon Multimédia, cuja assembleia geral está agendada para 19 de Abril, será um dos alvos desta proposta da Caixa. Ao contrário do que acontece em outras cotadas nacionais, o banco público é o principal acionista da empresa dona da TV Cabo (com 12 por cento do capital) e terá uma palavra decisiva na assembleia geral que terá lugar na próxima segunda-feira, dia 19.
Num documento enviado à Mesa da Assembleia Geral, o banco estatal propõe um corte de 5 por cento no salário fixo dos gestores e a eliminação, "a título excecional", da componente variável da remuneração em 2010 e 2011.
Se a proposta vingar, a equipa de gestão da Zon não receberá prémios nos próximos dois anos. Além disso, a proposta da Caixa estabelece que, existindo remuneração variável - após 2011 - esta não poderá exceder o equivalente a seis meses de salário fixo.
Jornal i
13.Abr.2010
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