SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

Dívida: alargar prazo para pagar é «essencial»

O prolongamento do prazo para pagar a dívida é essencial para o sucesso do resgate a Portugal. É que só assim se consegue garantir o crescimento económico. Quem o diz é o director da Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco.

José Poças Esteves apresentou esta quarta-feira o relatório trimestral SaeR e sublinhou que a «grande expectativa» quanto às negociações de Portugal com a troika que integra o FMI, Comissão Europeia e BCE, é o equilíbrio entre austeridade e crescimento.

«Se olhamos só para o lado da austeridade, dos custos, podemos estar a matar o crescimento e, nessa altura, não temos solução», salientou o economista, citado pela Lusa. É preciso assim aliviar a austeridade e esticar o prazo para pagamento da dívida para haver hipóteses de crescimento.

Ideal: crescer entre 3% a 4%/ano

Por outro lado, Portugal terá de demonstrar que tem um plano de crescimento adequado e que permita crescer cerca de 3 a 4% ao ano, para que seja possível «facilitar o pagamento».

A vinda do FMI «não significa o fim do mundo» e sim que «acaba um ciclo de más políticas económicas». Esta entidade está a ser mais «clarividente» do que os parceiros europeus, porque já percebeu que é preciso esticar os prazos para não «matar os doentes com a cura».

Europa: com amigos deste «venha o diabo»

Pelo contrário, os «amigos da Europa, são mais duros. Amigos destes venha o diabo tomar conta deles».

O economista lembrou que este é o terceiro resgate: «Os outros dois (Irlanda e Grécia) foram um falhanço». Tudo por causa, sublinhou, da falta de liderança europeia pelas indefinições e incertezas que estão a penalizar estes países.

«A Europa portou-se muito mal e quem pagou fomos nós, os mercados viram uma oportunidade e atacaram». Agora «a força dos mercados financeiros» vai voltar-se a seguir para Espanha e Itália.

«Se a Europa não disser que este é o último resgate vai ser preciso muito mais dinheiro. A Europa está a meio de uma ponte com uma bomba armadilhada por baixo e tem de desarmá-la», comentou, criticando a «falta de solidariedade e unidade» europeias. «Só resolvemos o nosso problema se a Europa decidir o que quer ser e para onde quer ir».

Sobre a reestruturação da dívida considerou que «abre uma caixa de Pandora» e é um risco sistémico para a Europa. «Quando se fala de reestruturação da dívida da Grécia nesta altura é uma tontice».

 

Agência Financeira

20.Abr.2011

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