SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

Portugal ganharia com alargamento do período de ajustamento, diz Poças Esteves

Na apresentação aos jornalistas, hoje, do relatório trimestral de análise de conjuntura económica, o sócio-gerente da SaeR – empresa de consultadoria que fundou com o já falecido antigo ministro das Finanças Ernâni Lopes, que em 1983 negociou a intervenção do FMI em Portugal – mostrou-se surpreendido com a posição “muito mais favorável” do Fundo Monetário Internacional em admitir uma flexibilização dos juros e dos prazos de pagamento do empréstimo. E criticou a posição europeia de “falta de solidariedade” com os países periféricos, a quem exige prazos apertados de pagamento.

José Poças Esteves lamenta serem terceiros a “forçar essa mudança” quando o país, diz, sabia que tinha de a fazer, mas sublinha que a entrada do FMI “não significa o fim do mundo”. E que se Portugal se focar num desígnio nacional – como fez em 1983 com a vinda do FMI, entrando na CEE três anos mais tarde – terá “capacidade de resiliência” para superar a crise.

Este responsável defende que, depois de 25 de Março – quando o Conselho Europeu terminou em Bruxelas sem um acordo definitivo quanto à flexibilização do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) –, “era absolutamente inevitável Portugal pedir ajuda”.

Por isso, admite que o Governo português interpretou mal os sinais vindos da Europa, quando a flexibilização do FEEF ainda era uma hipótese, e que acreditou, por isso, que “Portugal ia viver mais algum tempo [sem a necessidade de uma intervenção externa]”.

“Os mercados viram aqui uma fragilidade e atacaram”. E se Espanha tiver de ser resgatada, o montante de 440 mil milhões de euros de capacidade total do FEEF “tem todo de ser usado para salvar” o país vizinho. “Por isso é que as negociações que estão a decorrer agora [em Portugal] são fundamentais para a Europa”, já que “os outros dois [pacotes de ajuda] foram um falhanço; vamos assumi-lo”.

Crescer três a quatro por cento ao ano

A entrada do FEEF – em que o FMI assume mais protagonismo do que teria se Portugal recorresse a assistência com o fundo de socorro flexibilizado – “acaba um ciclo de más políticas económicas”, defende.

“Este país quando foi apertado arranjou sempre uma forma de sair da crise” e terá, no entender de José Poças, de tomar cinco acções estratégicas para fazer do crescimento o motor da economia.

Desígnio que, agora, num quadro político e económico global, de integração europeia absolutamente distinto, poderá passar sobretudo pela economia do mar e na aposta nas relações económicas com o Brasil, com África (através dos países de expressão portuguesa) e com o Pacífico (via Macau). O objectivo: crescer na casa dos três a quatro por cento ao ano já dentro de dois a três anos, apostando potencial estratégico também do turismo, do ambiente, das energias, da floresta e das ciências da vida. E crescer a curto prazo, pensando no crescimento a dez anos.

A via mais fácil, entende, está a ser feita com a contenção do défice e do endividamento. Mas a mais difícil e que, diz, não está estudada, tem precisamente a ver com o crescimento da economia. “Não temos um trabalho de retaguarda para o outro lado, que é o crescimento".

 

Pedro Crisóstomo

Público

20.Abr.2011

Notícias

Clube SaeR

Aceda aos conteúdos exclusivos e receba regularmente a newsletter SaeR directamente na sua caixa de e-mail.

Contactos

Rua Luciano Cordeiro, 123 4º Esq.
1050-139 Lisboa
Portugal

Tel: +351 213 030 830
Fax: +351 213 030 839
E-mail: saer@saer.pt