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"Jamais me passou pela cabeça que voltasse a haver uma situação como a de hoje" - Ernâni Lopes

O ex-ministro das Finanças Ernâni Lopes confessou hoje que quando em 1985 encerrou o programa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) “jamais” pensou que no país “voltasse a haver uma situação como a de hoje”.

“Devo dizer que em 1985, quando fechei o programa com o FMI, jamais me passou pela cabeça que voltasse a haver uma situação como a de hoje. Considerei que era um assunto que em Portugal não se repetiria. Quem estava errado era eu”, afirmou hoje o economista, que governou durante a adesão de Portugal à CEE.

Ernâni Lopes falava esta tarde à margem de uma conferência sobre a economia europeia organizada pela Faculdade de Economia do Porto.

Para o atual presidente da Saer (Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco), o governo de então “resolveu o problema, estabilizou a economia e com a adesão [à CEE] criou perspetivas de desenvolvimento como não havia há meio século”.

Desde então, diz Ernâni Lopes, “fez-se o contrário do que se devia fazer”.

O economista realça: “Não tem a ver com taxa de juro, oferta de moeda nem finanças públicas. Tem a ver com qualquer coisa mais importante. Os problemas resolvem-se com estudo e trabalho e não com facilitismo e aldrabice.”

Salientando que este “é um problema coletivo de Portugal”, onde “esforço, trabalho e exigência são coisas desagradáveis”, Ernâni Lopes não quis adiantar qualquer comentário sobre o Conselho de Ministros convocado para hoje e cujo resultado só será conhecido pelas 20:00, frisando que “sem se saber qual a decisão do Governo, tudo o que se disser é perder tempo”.

Ainda assim, referiu que uma possível entrada do FMI em Portugal “não é obrigatória” mas “uma sequela da má gestão macroeconómica”.

Para o ex-ministro, “quem tem de tratar dos assuntos portugueses são os portugueses e mais ninguém, o FMI não trata das questões, apoia, dá uma garantia externa, mas não é ele que toma a medida”.

Explicou que o FMI só impõe medidas “a quem não as quer tomar, porque, se os governos forem responsáveis e souberem o que estão a fazer, tomam as medidas”.

Afirmou ainda que o aumento de impostos “é uma das medidas possíveis”, mas “depende também de quais impostos, porque não são todos iguais nos seus efeitos”.

 

Jornal i/Agência Lusa

29.Set.2010

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