SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

«Europa pode voltar a entrar em recessão»

Mesmo quando a economia parece estar a dar sinais de recuperação, há quem desconfie da capacidade de a Europa derrotar a crise em definitivo. O Velho Continente vive um período «conturbado e perigoso» e pode voltar a cair em recessão, «em especial se for detonada por uma grave crise cambial», alerta o relatório de Junho da Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco (Saer).
 
«A União Europeia vive um período conturbado, perigoso, inclusivamente para a própria unidade política, com a moeda única a ser colocada em causa», aponta o documento, citado pela agência Lusa.
 
Crescimento chinês pode pregar rasteira à UE
 
O crescimento chinês, bem acima do 1% previsto para este ano nos países da União Europeia, poderá contribuir para que o Velho Continente mergulhe numa nova recessão. É que a sua expansão poderá ter como consequência vários cenários, entre os quais, a tal «double-dip recession, em especial se for detonada por uma grave crise cambial - a implosão do euro, por exemplo», escrevem Ernâni Lopes e José Poças Esteves.
 
Mas há mais: «Os riscos geopolíticos são elevados» e «o perigo de balcanização europeia existe e é delicado para Portugal, que enfrenta as condicionantes geográficas de apenas ter fronteiras terrestres com Espanha, um dos Estados que padecem do risco de desintegração política».
 
Endividamento imparável afecta equilíbrio económico
 
O problema, explicam estes dois responsáveis, não é de agora. Os políticos «aproveitaram os benefícios imediatos [da criação do euro], que se traduziram em reduções consideráveis das taxas de juro para as economias mais débeis, mas esqueceram as suas próprias convicções quando se tratou de respeitar o quadro completo das normas e procedimentos inerentes a um sistema de moeda única».
 
E o resultado está à vista. «A crise portuguesa exemplifica
o que são as consequências da violação da disciplina do euro quando essa violação é utilizada para financiar estratégias políticas de preferência distributiva, assumindo os responsáveis políticos (e os seus eleitores) que as despesas com as políticas sociais poderiam ser mantidas com recurso ao endividamento, sem ter de haver recuperação da competitividade e restabelecimento do equilíbrio nas relações comerciais com o exterior».
 
Portugueses forçados a mudar de estilo de vida
 
As dificuldades de financiamento externo levaram a um aperto do cinto ainda maior e os cidadãos poderão ter de vir a adoptar um novo «padrão» de vida. «Esta nova realidade de aperto das condições de acesso ao crédito poderá consciencializar as famílias portuguesas para a necessidade de maior poupança, abrandando o ritmo de crescimento de endividamento e facilitando a c do défice externo».
 
A Saer diz que a crise pode, por outro lado, «induzir [as empresas a] uma maior capitalização e maior cautela e racionalidade na aferição e concretização de projectos de investimento».
 
Ao contrário dos Estado, as empresas ainda não apreenderam a nova «economia da dívida», que se sobrepõe à capitalista: «O Estado está a dar os primeiros passos nesse sentido [de evitar o financiamento externo], mas, ao contrário dos congéneres europeus, o sector privado nacional ainda não iniciou o processo de desalavancagem que se impõe e que a subida dos custos de financiamento preconizam».
 
Agência Financeira
14.Jul.2010

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