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SaeR avisa que sacrifícios exigidos aos portugueses podem ser em vão

"O Orçamento do Estado é a fatura que temos de pagar e revela uma forte certeza de que o Governo quer confiança e vai pelo caminho mais duro, mas mais seguro. Mas contém uma elevada incerteza sobre como contrariar a contração económica", afirmou José Poças Esteves, num encontro com jornalistas para a apresentação da edição de setembro do Relatório Saer.
 
Quando questionado sobre se a falta de fomento do crescimento económico pode pôr em causa o esforço financeiro dos portugueses, alvo de cortes salariais e subidas de impostos, entre outras medidas de austeridade, respondeu: "Sim, esse esforço pode ser em vão".
 
José Poças Esteves criticou a falta de "pensamento estratégico" no Orçamento de Estado (OE) para 2012, alertando que é preciso que o Governo "diga rapidamente que, do lado do crescimento económico, Portugal não é uma Grécia".
 
O sócio-gerente da SaeR congratulou-se com as medidas de austeridade inscritas no orçamento para o próximo ano, mas criticou o facto de o documento não conter medidas de crescimento económico que "deem sinais de que o país vai dar a volta", incluindo reformas estruturais, combate de desperdícios e a definição da diplomacia económica.
 
"Estamos a viver uma crise de época, não conjuntural mas estrutural que vai durar mais do que dois ou três anos", disse, acrescentando que a crise poderá instalar-se por uma, duas ou três décadas e que o país se deve precaver das consequências da crise do euro e da fragmentação da Europa.
 
"Portugal não deve, em termos geopolíticos, centrar-se só na Europa", disse, defendendo que o país se deve preparar para evitar um eventual isolamento por efeito de uma fragmentação do projeto da União Europeia, que pode até resultar numa divisão em duas europas.
 
Entre as possíveis apostas fora da Europa, José Poças Esteves referiu o "Atlântico e a lusofonia", salientando que o futuro de Portugal passa por estabelecer novas relações políticas e comerciais e estreitar relações de cultura.
 
"A economia do mar devia ser uma aposta para o nosso crescimento económico, nomeadamente os portos e os transportes marítimos, uma vez que a troca de mercadorias é feita por mar e temos uma costa imensa. As pescas e a aquacultura e até o turismo náutico também", acrescentou.
 
RTP/Agência Lusa
18.Out.2011

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