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A descontinuidade e a região de Leiria

Portugal entrou no século XXI em movimento de divergência sistemática com a economia mundial. A partir de 2001, quando a Espanha, a Europa e o Mundo já estavam em compasso de recuperação, Portugal ainda teimava em divergir.

Quatro grandes factores contribuíram para a divergência: 1. Entrada de novos agentes nos mercados internacionais; 2. Ausência de planeamento estratégico ao nível micro e mesoeconómico (empresas e sectores); 3. Irracionalidade no comportamento dos agentes económicos numa conjuntura de juros baixos; e 4. Oscilações bruscas do ciclo político com implicações nas Políticas Públicas e no Orçamento de Estado. O efeito combinado desses quatro factores sugere a possibilidade iminente da economia portuguesa entrar numa fase de descontinuidade, com algumas regiões, cujo tecido empresarial está mais exposto aos factores supracitados, já estarem mesmo a experimentá-la.

Em 2005, as cinquenta maiores empresas do distrito de Leiria venderam 25% (400 milhões de euros) a menos do que as cinquenta maiores empresas no ano 2000. Segundo a teoria de Joseph Schumpeter, a descontinuidade é entendida como uma mudança de rotura no fluxo circular da actividade económica. Um distúrbio no equilíbrio existente e, ao mesmo tempo, germinador de desenvolvimento futuro. Geralmente, as empresas apresentam dois comportamentos distintos como reacção à descontinuidade: uma resposta adaptativa e uma resposta criativa.

Na resposta adaptativa, a empresa assume uma postura de sobrevivência no mercado em mudança, e mantém-se inerte perante o futuro. Na resposta criativa, emerge uma nova raça de empreendedores inovadores. A inovação conduz a uma reestruturação da posição competitiva das empresas, impondo ao sector um contexto de destruição criativa. A verdade é que, para dados do INE (2004), a taxa de constituição de sociedades na Região de Leiria (distrito mais Ourém) foi de 6,5%, contra 7,8% em Aveiro e 7,2% no total do País, posicionando a Região com um forte potencial de crescimento da actividade empreendedora. 

A economia da Região de Leiria é formada por aglomerações industriais bem definidas: moldes, plásticos, vidro, pedras e rochas ornamentais, areeiros, a fileira da madeira e alguma agricultura competitiva no Oeste. De acordo com Ernâni Lopes, na descontinuidade, o que é posta em causa é a própria identidade do sector e a sua importância relativa no sistema económico do País. Apesar de ser extremamente difícil fazer o diagnóstico da descontinuidade, a minha opinião é a de que a Região de Leiria está a vivenciá-la de uma forma incontornável, mas sem saber como impor uma resposta criativa adequada. A resposta criativa não é um estado previsível a partir do presente, mas modela o futuro. E a sua germinação torna-se mais intensa e profunda conforme o capital social existente numa sociedade. Afinal o que é preciso na Região de Leiria para a sua dinâmica de destruição criativa?
Empreendedorismo inovador (start ups) de tecnologia avançada, incorporando capital humano qualificado e formado na Região.
Elaboração de propostas cooperativas e integradoras (tríplice hélice – Governo local/Politécnico/Empresas) para o QREN 2007-2013.
Uma estratégia do sector bancário ao nível das direcções regionais para alicerçar os ganhos de competitividade da região (crédito selectivo).


Márcio Lopes | Docente na ESTG Leiria
Leiria Económica on-line 
3.Jul.2008

(Artigo publicado na Revista 250 Maiores Empresas do Distrito de Leiria, editada pelo Jornal de Leiria, distribuída com a edição de 22/11/2007 do semanário e de 24/11/2007 do Público)

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