SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

O dinheiro também vem do Atlântico

João Mendonça vê o seu negócio crescer 25% por ano desde 2008. Cerca de 97% dos seus clientes são estrangeiros, apesar de a WaterX ter tentado aproximar o seu produto a clientes portugueses. Mas os empreendedores referem que, enquanto não forem criadas as condições necessárias para as empresas de turismo náutico evoluírem, tal não será possível. E acrescentam que é preciso acreditar no potencial da economia do mar.

O valor económico das actividades ligadas ao mar representa, actualmente, cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega cerca de 75 mil pessoas. Estes dados chegam do estudo "Hypercluster da Economia do Mar", promovido pela SaeR - Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco, que defende o emprendedorismo nos vários sectores ligados aos oceanos. Entre as actividades identificadas como mais significativas surgem a náutica de recreio e turismo náutico, a construção e reparação naval, pescas, aquicultura e indústria de pescado e transportes marítimos, portos e logística. Só os últimos dois sectores representam um efeito directo no PIB de 2.142 milhões de euros

Os empreendedores e mão-de-obra qualificada têm de crescer, de modo coordenado, segundo os especialistas. De acordo com um estudo realizado no âmbito do Plano Estratégico Nacional para o Turismo (PENT), o mercado europeu da náutica de recreio movimenta cerca de três milhões de viagens internacionais por ano dentro da Europa. Destaca-se a vela e o mergulho, que possuem mais de um milhão de praticantes. A náutica de recreio é um mercado que cresce na ordem dos 8% a 10%, anualmente. Estima-se que, em 10 anos, terá mais do que duplicado.
O estudo da SaeR explica que um turista praticante de actividades náuticas gasta, em média, entre 80 euros, no caso do surf, e 200 euros por dia, incluindo noite e embarcação, no caso da navegação de recreio. Com o aluguer de barcos privados com tripulação, a diária ascende a 500 euros.

A taxa de crescimento desta actividade, internacionalmente, é de 8 a 10% por ano, mas os especialistas estimam que, nos próximos 10 anos, Portugal possa chegar aos 11%. Só a vela e o surf têm apresentado uma maior procura por parte dos segmentos de elevado nível sócio-económico e estão muito associados a consumos complementares.

Empresas optimistas
No final do ano passado, a PricewaterhouseCoopers (PwC) lançou o Barómetro da Economia do Mar, resultado de um inquérito efectuado a 20 gestores de topo que operam nos subsectores da economia do mar. Uma grande maioria das empresas inquiridas está revelou-se optimista face ao desempenho da actividade, do seu subsector e da sua empresa durante o próximo ano. O que os preocupa é a liquidez. Cerca de 40% considera que a rendibilidade do sector é má, mas uma grande percentagem diz ter condições de competitividade "boas ou muito boas" e disponibilidade de capital humano.

Durante o próximo ano, a maioria dos gestores não pretende desinvestir, mas apenas metade tenciona fazer investimentos significativos. Para enfrentar a actual crise, o caminho é a criação de novos produtos, diversificação, efectuar parcerias e internacionalizar a actividade. As acções de formação vão intensificar-se nos próximos 12 meses, bem como a candidatura a apoios.

 
Ana Pimentel
Jornal de Negócios
15.Set.2011

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