Grandes projectos discutidos hoje valem 10% do PIB
Os grandes projectos, como a alta velocidade, as concessões rodoviárias e o novo aeroporto, que serão discutidos esta segunda-feira num encontro entre antigos governantes e o Presidente da República, representam um investimento de 16 mil milhões de euros, quase 10 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), escreve a Lusa.
O projecto de alta velocidade, que assenta em seis concursos em regime de parceria público-privada, representa um investimento global de 8,9 mil milhões de euros, dos quais 45% serão suportados pelas receitas geradas pelo próprio projecto, 20% por fundos comunitários e 35% pelo Estado português.
O modelo de negócio do projecto prevê que o Estado comece a pagar a rede de alta velocidade em 2013, quando a primeira linha entrar em funcionamento.
Obras devem avançar «com privados a assumir os riscos»
A reunião desta segunda-feira entre ex-ministros e o Presidente da República foi aplaudida por Ernâni Lopes, que classificou a iniciativa como fazendo parte das «funções» de Cavaco Silva. O antigo governante, disse à Lusa que vai ao encontro com «expectativas que não são muito diferentes das de todos os portugueses», sem entrar em mais pormenores.
Outro ex-ministro que estará presente na reunião é Pina Moura, para quem que o agravamento das condições financeiras exige «uma moratória tanto em relação ao TGV como em relação ao novo Aeroporto de Lisboa e à terceira travessia sobre o rio Tejo, que são os três projectos mais significativos em termos de custos financeiros».
Quem também defende o adiamento destes investimentos é Eduardo Catroga. Para este antigo ministro das Finanças, «a redefinição do modelo de concurso e de execução das grandes obras públicas com os privados a assumir o risco sem o apoio dos contribuintes».
«Dentro desses projectos de obras públicas, sou defensor do TGV e Aeroporto, mas são projectos que se fazem a 50, 70, 80 ou 100 anos, resistem a questões conjunturais, são flexíveis de ajustamentos em função dessas situações» disse, por sua vez, o bastonário da Ordem dos Economistas, Murteira Nabo.
Já mais céptico está João Salgueiro que classifica «a conversa» criada em torno das grandes obras públicas como «um divertimento para entreter as pessoas». Para este ex-ministro, o importante é rever o Orçamento de Estado e o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).
«Vamos discutir é como é que as pessoas vão conseguir manter os seus empregos e criar condições para melhorar de vida. Esse é que é o verdadeiro problema que o país tem. Andamos há dez anos a disfarçar», sublinhou João Salgueiro.
Agência Financeira
10.Mai.2010
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