RT SaeR - Remediar a crise é insuficiente, diz Êrnani Lopes
O director da Saer, Êrnani Lopes, considerou esta quarta-feira insuficientes as tentativas de remediar a actual crise financeira mundial, que devido à sua dimensão exige "uma resposta em termos estratégicos" dos vários países.
Durante a apresentação do Relatório sobre a Situação Económica e dos Negócios, o director da consultora Saer-Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco afirmou que "as respostas políticas à crise financeira mundial são insuficientes, por responderem com medidas de remendo e não com soluções aos acontecimentos".
"A generalidade dos responsáveis ao longo dos tempos, perante uma situação de dificuldade, tende a ver uma situação de remediar e não uma solução de resposta. (…) É uma falha importante porque a profundidade e a dimensão da situação de crise são tais que requerem uma resposta em termos estratégicos e não um mero paliativo", disse.
"Ao ser um paliativo não é uma excepção em termos históricos, que chegaria também para situações banais de flutuações de actividade económica. Perante a realidade da situação que enfrentamos, um paliativo é absolutamente insuficiente", acrescentou o responsável.
Segundo Êrnani Lopes, estas medidas de remendo surgem devido à falta de liquidez do sistema financeira, quando deveriam ser "um resultado de uma reflexão estratégica sobre a realidade dos acontecimentos e dos seus mecanismos".
Quanto às perspectivas de retoma da economia a nível mundial e nacional, o director da Saer diz que têm aparecido alguns indicadores positivos a nível global que não são convincentes, não vendo esses sinais a chegarem à economia nacional.
"Há alguma coisa [indicadores positivos] que não é convincente. Na economia portuguesa bem procuro mas não encontro", afirmou.
"A minha dúvida não é se existem ou não, é se subsistem ou não. A minha suspeita é que não", considerou o responsável.
O responsável não quis revelar qualquer perspectiva para quando chegará a recuperação económica a Portugal, explicando no entanto que é provável que esta se "manifeste primeiro nos Estados Unidos", seguindo-se a União Europeia e Portugal chegará mais atrasado.
"A União Europeia, melhor ou pior, irá a seguir [aos EUA] e no seio da União Europeia nós iremos com mais dificuldade, mais atrasados e não sei quando", explicou, adiantando que os principais pontos de vulnerabilidade nacionais são o endividamento e o défice das transacções exteriores, sendo o "pior de todos" a produtividade e competitividade.
Os planos de estímulo à economia aplicados pelos diversos países, segundo Êrnani Lopes, são necessários e tiveram um resultado.
"Primeiro, tem de se fazer esse esforço. Segundo; melhor ou pior, já é uma questão de filigrana; terceiro não conto muito com os resultados", afirmou Êrnani Lopes, explicando que "o grande papel destas medidas é evitar uma quebra e uma rotura auto alimentada".
"Isso foi evitado, já é um bom resultado. Agora, para a frente, faz-se com as empresas", concluiu.
Lusa/AO Online
08.Jul.2009
Notícias
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