Crescimento económico não travará desemprego em 2010
O presidente da SAER e antigo ministro das Finanças, Ernâni Lopes, insiste que os investimentos previstos pelo Governo nas “Grandes Opções do Plano” vão agravar a situação da economia portuguesa. Por isso, defende que a receita para criar emprego tem que ser outra.
“Para criar emprego no curto prazo deve-se - com a intervenção do Estado - fazer uma política de investimento público muito diversificado, ou seja, várias pequenas obras. Não é fazer um grande investimento, uma obra majestática seja ela qual for. Os grandes investimentos públicos, pelo menos, aqueles que vejo na comunicação social acho melhor pensar sete vezes” , advoga.
O relatório, apresentado hoje, refere que “a economia portuguesa não sofreu tanto com a crise, mas também não crescerá tanto como a Zona Euro em 2010 e, porventura, a médio prazo, correndo o risco de manter assim, no futuro, um padrão de divergência real face à média comunitária”.
"Fazer investimento para gerar défice põe-me doente"
O ex-governante considera que alguns dos investimentos que se fala "são um mimo do ponto de vista analítico": porque são todos financiados por dívida, não há dinheiro para os pagar; grande parte do investimento é importado; vai aumentar a dívida que será paga nas décadas seguintes; as despesas de funcionamento e manutenção, muito provavelmente serão superiores às receitas. "Confesso, que fazer investimento para gerar défice é uma coisa que me põe doente”, desabafa.
No relatório trimestral de Dezembro de 2009, pode ler-se que, “dado o nível de endividamento público e externo da economia portuguesa e o risco de sofrer o contágio dos efeitos de situações potencialmente disruptoras de economias em pior situação, em termos de percepção do sistema financeiro internacional, Portugal deverá adoptar uma estratégia de consolidação”.
Ernâni Lopes avisa ainda para a possibilidade do sistema financeiro internacional assistir a uma nova crise no final deste ano, porque o modelo de funcionamento mantêm-se inalterado e demasiado dependente no crédito.
Reacções às Grandes Opções do Plano
Na Saúde, o documento aponta para a distinção dos gestores hospitalares com melhor desempenho. O Governo pretende diferenciar o financiamento das Administrações Regionais de Saúde consoante a procura nos hospitais-empresa e nas unidades locais.
Pedro Lopes, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, apoia a iniciativa e alerta para a necessidade de uma avaliação rigorosa de desempenho.
Na política do medicamento, o Governo quer rever todo o actual sistema de comparticipação do Estado.
Nos apoios às Pequenas e Médias Empresas, aponta-se para a criação de uma nova linha de crédito - a PME-Invest V - com melhor acesso ao crédito bonificado e apoios à internacionalização.
José Alves da Silva, presidente da Associação PME Portugal, afirma que a burocracia tem prejudicado o acesso das pequenas e médias empresas aos recursos colocados à sua disposição.
Radio Renascença
19.Jan.2010
Notícias
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