SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

Temos que ser alternativa ao tradicional ‘Sol e Praia’, nomeadamente no chamado turismo interno

"A Guarda: O que falta à Guarda para se tornar uma cidade atractiva em termos turísticos?
 
 
Crespo de Carvalho: Como escrevia o Prof. Hernâni Lopes, há pouco tempo, o Turismo é uma vocação e uma oportunidade para a economia Portuguesa, desde que os responsáveis políticos o assumam e a sociedade o compreenda, ajustando os seus comportamentos às exigências dos serviços de alto valor acrescentado e aos mercados competitivos.
 
Igualmente para uma resposta eficaz ao desemprego gerado na reconversão dos sectores tradicionais, o turismo tem um contributo relevante.
 
Mas terá que haver uma mudança do modelo de desenvolvimento, que se mantém desde a década de sessenta. O primado do cliente é condição estratégica, que na sua satisfação e fidelização, acompanhada da difusão de uma marca forte, farão a diferença.
 
Este novo modelo de desenvolvimento do turismo, deve ser articulado com outros propulsores do desenvolvimento da economia, nomeadamente na Saúde, ver o exemplo que acabei de dar com o AR, na Segurança, no Ambiente e na Cultura.
Assim na Guarda, temos que encontrar uma “Marca” identificadora, explorar as nossas riquezas naturais, explicitando vantagens como a segurança de elevado grau, e já um bem raro, um ambiente que o “atraso” nos preservou a qualidade da paisagem, e na cultura com uma identidade própria. Os valores a eles associados têm que ser explicitados.
 
Temos que construir uma plataforma de concepção, projecção e principalmente de promoção de todas as iniciativas, assim como a sua avaliação regular sem medos dos resultados. O hábito de nos autoavaliarmos pode ser enriquecedor, mesmo conhecendo tão cáusticas, que são as nossas gentes, quando se trata de avaliarmos os outros. Mas este caminho tem que ser trilhado.
 
Um plano de médio/longo prazo impõe-se, partilhado com todos os agentes, quer culturais quer turísticos e políticos, que seja factor de orientação e responsabilização.
 
A cooperação das entidades públicas e privadas é condição de sucesso na estratégia do Turismo.
 
A oferta deve orientar-se para a exploração de ‘clusters’ à volta de binómios saude/desporto, negócios /cultura, recursos/ambiente. Temos que ser alternativa ao tradicional “Sol e Praia”, nomeadamente no chamado turismo interno.
As nossas ofertas hoteleiras (não falo só de hotéis) têm já qualidade, e até serão porventura de oferta excessiva, mas para elas é preciso encontrar num plano regional, supra municipal, respostas de tipo rede.
 
A nossa característica comportamental de tolerância, humanista e universalista, a honestidade e inteligência relacional, determinam enquadramentos naturais de grande abertura que potenciam o factor multiplicador de fidelização, já que somos bons no contacto com forasteiros, cativamos facilmente e sabemos receber.
 
Nos activos humanos, temos que atrair as pessoas, desde o gestor ao empresário, o quadro e o recurso intermédio, pugnando que também por cá as escolas de nível intermédio ou superior, consigam melhor e cada vez mais, oferta nesta área. Sem gente qualificada não haverá sustentabilidade para o turismo.
 
Perspectivar os mercados, aprendendo com os que já fazem bem, deve ser uma prova de humildade de que não devemos abdicar. Experiências de sucesso, mesmo em zonas de fraca ocupação populacional, provam que quando se tem um plano, se perspectiva um objectivo e se é capaz de realizar bem, o sucesso é o corolário lógico, basta lembrar casos como o das Casas da Coro em Marialva, com um empresário da Guarda, para demonstrar que o que defendo é exequível.
 
A restauração é, deverá ser, um vector desse mesmo plano, mas temos que ter cuidado com as iniciativas, fazer em Maio um concurso gastronómico com base nos enchidos, que sabemos serem um produto de Inverno, ou com base no cabrito que infelizmente já pouco se produz na região, será de evitar, se não queremos dar uma imagem distorcida das nossas capacidades."
 
 
Excerto da Entrevista a José Luís Crespo de Carvalho, sócio gerente de duas empresas na Guarda, a Egicar e Egifor, e Presidente do Grupo de Amigos do Museu da Guarda e da Guard’Ar.
 
A Guarda on-line -www.jornaldaguarda.com
19-06-2008 

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