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RT SaeR - Derrapagem das contas públicas "insustentável" a médio prazo

A derrapagem das contas públicas "é insustentável numa óptica de médio prazo" e há que retomar um processo de consolidação orçamental semelhante àquele que decorria no período pré-crise, defende a Saer, num relatório hoje divulgado.
 

A derrapagem das contas públicas "é insustentável numa óptica de médio prazo" e há que retomar um processo de consolidação orçamental semelhante àquele que decorria no período pré-crise, defende a Saer, num relatório hoje divulgado.
No Relatório sobre a Situação Económica e dos Negócios, a Saer-Sociedade de Avaliação Estratégica de Risco aponta que "os défices e os níveis de dívida pública deterioraram-se substancialmente. Ultrapassaram os limiares do Pacto de Estabilização e Crescimento".
"A derrapagem das contas públicas é insustentável numa óptica de médio prazo. A inflexão na evolução económica que aparenta despontar deverá contribuir, por si só, para estabilizar essa deterioração", refere o documento.
No entanto, a Saer, dirigida por Ernâni Lopes, alerta para a necessidade de " corrigir essa deterioração e/ou retomar um processo de consolidação das contas públicas similar ao que decorria no período pré-crise".
A forma como decorrerá esse processo dependerá "muito do que a própria zona euro vier a adoptar no mesmo sentido, dado que a generalidade dos Estados-membros entraram também num processo de deterioração das contas públicas como resultado da rapidez e da intensidade da crise", refere o relatório da Saer.
Para os consultores da empresa "interessará negociar e defender atitudes de bom senso que obstem a que o processo de correcção não engendre, por si mesmo, uma evolução tipo anemia para a zona euro - ou inclusive, obste a uma retoma - e, por reflexo, para a economia portuguesa".
O documento defende que os sinais positivos aparecidos desde a publicação do último relatório e a prática do Banco Central Europeu (BCE) "apontam para um dissipar das preocupações" na altura apontadas com o risco da União Europeia (UE) entrar num processo de ´desconstrução´, do euro e o sistema financeiro internacional entrarem em colapso".
"Nesta hipótese, a economia e a sociedade portuguesas deverão entrar num processo de estabilização e, mais tarde ou mais cedo, de retoma", mas "haverá, porventura, que reflectir mais, muito mais, seriamente do que tem sido feito até agora", acrescenta a consultora.
A Saer salienta que é necessário "bom senso" no Fisco e Segurança Social "para não actuarem em termos formais de invocação directa de ortodoxia (...) inviabilizando empresas e criando mais desemprego. Exigir uma recuperação demasiado rápida aos doentes poderá condená-los a uma recaída, para alguns, fatal".
Ainda no que respeita ao desemprego, o estudo da consultora prevê a possibilidade de agravamento "nos próximos meses, elevando o respectivo nível para patamares ainda mais preocupantes". Muito deste desemprego "será estrutural", acrescenta.
"Os tempos de pós-crise não serão isentos de novas crises", adianta o relatório.
"Importará, porventura, redireccionar apoios de toda a ordem para que novas actividades/empregos se vocacionem para produtos/serviços transaccionáveis e que estes consigam limitar perdas quando em situações de crise internacional", realça a Saer.
 
EA.
Expresso/Lusa
08.Jul.2009
 

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