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Mar poderá vir a alimentar cinco por cento do PIB nacional

É o maior recurso do país e provavelmente o mais desperdiçado. Portugal só olha para o mar até à linha dos calções de banho. Mas este tem um potencial que pode chegar a representar cinco por cento do Produto Interno Bruto (PIB) até ao fim do primeiro quarto deste século. Para isso, há que seguir os conselhos ontem deixados ao Presidente da República pela Associação Comercial de Lisboa.

Hoje, sem contar com o turismo - a única actividade que aproveita, e apenas em parte, a potencialidade dos mais de 800 quilómetros de costa -, a economia do mar representa cerca de dois por cento do PIB nacional, empregando 75 mil pessoas. Se se acrescentar os efeitos indirectos, o seu contributo para a riqueza do país varia entre cinco e seis por cento.

Segundo um estudo coordenado pelo economista Ernâni Lopes, a pedido da Associação Comercial, a economia do mar pode duplicar o seu peso no PIB caso Portugal consiga tornar-se num actor marítimo relevante a nível global. Para o conseguir, o ex-ministro das Finanças sugere várias prioridades (ver caixa) que poderão ser um catalisador "capaz de organizar e dinamizar um conjunto de sectores com elevado potencial de crescimento, inovação e capacidade para atraírem recursos e investimentos, nomeadamente externos, de qualidade".

O estudo, realizado durante um ano, foi patrocinado por 15 empresas. "Não é um estudo estratégico, é um plano concreto para concretizar nos próximos 25 anos", adiantou Bruno Bobone, da Associação Comercial. Neste documento, que será amplamente divulgado nas próximas semanas, apontam-se, além de acções específicas em diversos sectores, as fontes de financiamento possíveis. No entanto, não são avançados números concretos, dependentes de avaliações mais aprofundadas sector a sector, adiantou Bobone.
 
As acções propostas no estudo
O estudo aponta para 12 sectores onde devem ser desenvolvidas acções.
E há cinco prioritários:
- Portos, logística e transportes
- Náutica de recreio e turismo náutico
- Pesca, aquicultura e indústria de pescado
- Visibilidade, comunicação e imagem/culturas marítimas
- Produção de pensamento estratégico

Estes terão de ter, como base de sustentação, três sectores:
- Serviços marítimos
- Construção e reparação navais
- Obras marítimas

Para dar consistência a esta aposta, há que incentivar outras linhas da frente:
- Investigação científica, inovação e desenvolvimento
- Ensino e formação
- Defesa e segurança no mar
- Ambiente e conservação da natureza

Sucesso passa pela adopção de medidas fundamentais:
- Constituição de um Conselho de Ministros exclusivo para os assuntos do mar
- Criação de legislação especial
- Constituição de um Fórum para a Implementação da Economia do Mar reunindo todos os actores
 
 
Ana Fernandes
Público

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